“A nossa pálida razão esconde-nos o infinito”

Sabe,amo congestionadamente a natureza.Sentir o sol doce de nuvens brancas nos ombros e poder bagunçar a franja(que é só o que me resta na cabeça,mesmo.) com o aroma do vento.Aquecer os pés nas águas do rio de fim de tarde,e sentir o calafrio do mergulho da manhã.

Me faz até perder o fôlego,olhar e ver o meu reflexo em grama verde,e poder admitir que essa é a melhor cama embaixo das estrelas.E pegar frutas dos pés descalsos,sem precisar de talheres ou guardanapos.Sem precisar de educação e refino.

Ah,é tudo tão assustadoramente,simples.Onde só a vontade e o querer tem espaço.Sem grandes contradições,ou exacerbadas explicações.É,onde minha respiração repousa.

Porém,espero que entenda,o quanto a cidade também me atrai.De alguma forma,a confusão e seus exageros.Talvez seja pelas pessoas distraídas,ou pelos detalhes ocultos de outros que procuram através de sua humilde existência,provocar os sentidos.Eu realmente não sei o que acontece.

Me descobri aficionada pelo desagrado,e stress alheio.Aquele fervilhar de informações,de oportunidade,onde cada passo pode resultar na descoberta.Descoberta de nada,coberta de tudo.Recheada com muito,polvilhada de pouco.Eu sei lá.

É um constante impulso,que me torna incansável na busca pela revelação de todo aquele emaranhado compulsivo,da procura por trás dos prédios,e pela contemplação em transportes públicos.

Oh,são tantos pensamentos,tantas filosofias ordinárias,e teorias cretinas que me percorrem cada articulação empolgada.Me deixa extasiada nesse ímpeto urbano!É onde eu perco o fôlego,e a respiração desaparece.

Eu não sei o que pensar,nem o que seguir.É uma distração gostosa não saber o que se quer ser.E um reboliço interessante escrever sem planejamento.

No momento,eu não escolho,não opto.Só me deixo levar pelas estações de ônibus,e por tranquilas caminhadas na madrugada interiorana.Pelas cores vivas de um escuro estrelado,e por artificialidades contemporâneas.

Enfim,ofereço então,o ano de 2010 às minhas estripulias concisas.

Um brinde espumante de um champagne surpreso,transbordante de caminhos desconhecidos e repleto de lógicas imorais,satisfatoriamente incompletas.Um brinde,à nós,à eles!Um brinde a livre liberdade…

“Ninguém é sério aos 17 anos.”(e nem depois destes.)

Fuga Coletiva

Onde é que a fase corre, onde é que a casa fala
onde é que a face cala, onde há inspiração?
Onde carros não poluem, onde gritam continue
onde a evasão assume a coisificação?

Não há como não sorrir diante dessa confusão

Onde orixás acordam, corda de pipa subindo
separando todo o mimo de alienação
Onde a falta sumindo corre o morro em desespero
onde não há pesadelo, e nem ponte pro fim?

Não há como não fluir diante dessa escuridão

Onde a dita dura acaba, onde as trocas de balas
sejam flores em cascata junto com mar de melão
onde cores sejam velas e os navios as favelas
tropem como Cinderela uma nova canção?

Não há como se esconder, não tem como esconder são

Onde é que a flora grita, onde aflora e simpatiza
onde a fuga é coletiva e os pés tocam no chão
Onde se cria atividade, onde troço é bela tarde
Onde o corpo é só metade sem banalização?

Agradeço aos exemplos com bolinhas de sabão.

Que realidade essa brota como primavera
levantando alegre tela, feliz no sertão
onde se critica leve, onde aqui nada se deve
onde a frase ecoe fina feita com razão

Onde tudo se entenda sem sofreguidão

Eu proponho uma saída, com banquete, com bebida
eu convido às famílias familiarização
eu proponho a velha carne a mais pura liberdade
se vier libertinagem não vejo problema não

Pois se é pra ser vivida que seja vivida então.

-João de Paiva

(Conseguiste mais uma vez!Sinto falta do violão,do colete,e das sandalias)

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Um comentário sobre ““A nossa pálida razão esconde-nos o infinito”

  1. Eu fico impressona. Quando corrigi tua primeira redação, lembras, quase tive um treco, de tanta desolação. Era um parágrafo mal cortado, uma frase descolado, uma letra não rimada, jesus, mas que dó me deu. De repente, eu vejo tudo o que faltava apareceu com o tempo, como se alguma nota que tava perdida se encontrou com o resto e fez a melodia correta. Achaste a melhor forma de colocar o que querias no papel, e ficou belíssimo.

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