cultiva em mim.

A campainha tocou baixa o sucifiente pra parece um sussuro ao pé do ouvido,e alta o bastante pra fazer cada centimetro da pele dela acordar.
Sentia o peso de infinitas toneladas que a chave parecia ter enquanto jogava os pés em direção a porta,e com a mão direita girou na fechadura o descompasso que sentia no lado esquerdo.
Ignorou as olheras que via pelo olho mágico,e deu as costas pra porta com a chave pendurada.Sentiu na nunca a hesitação momentanea,e soltou o ar por entre os lábios,quem sabe tentando assobiar um sorriso.
Colocou os pés decalços no piso frio da cozinha,e foi procurando nas panelas as palavras que engolira durante tanto tempo.
Não se sabe se por vergonha ou desconhecimento,evitou dizer muito.Ela tinha do calor,que era sugado pelo chão,o conforto necessario.
Sabia pelo modo com as bochechas dele estavam se o sabor de outro dia tinha entrado na sua boca.Mas dessa vez,resolveu ignorar a fome saciada e serviu um prato,com todas as cores que se podia encontrar.E do jeito que a comida desceu,a sobremesa chegou,vermelha,bordô pra tingir o interior dele da cor dela.
E pra completar a coreografia,lavou a louça,fechando os olhos ocasionalmente e afundando os dedos na água da pia,pra ter certeza de que cada cantinho dela ainda sabia sentir.
Deixou que a barra da calça escorregasse no chão,e fizesse sua própria sinfonia,como dedos que deslizam nas bordas das taças,e se fez passar milimetricamente dele.
Escorregou os nós das mãos por entre os botões e apertou o que achava mais conveniente,fazendo tocar música enquanto esse saia de sua casa.E foi nesse embalo de aberturas pomposas,que ele tomou seu lugar,grudado no pescoço dela,de olhos fechados.
Não se preocupou em pedir licença e já foi invadindo de um jeito discreto a parte de dentro das mãos que ela tinha também fechado.
Sentia o ar que os cobria,e como cada passinho dado fazia todo o quarto vibrar.E ficou assim por alguns curtissimos minutos,vendo de cima o entreçado que os braços dela davam.
Decidiu desligar os fios que a faziam pensar,e acendeu uma vela no lugar.
Hoje,ela sabia que teria que se render,sem embrulhos,sem murmurios.E se permitiu dividir do calor do outro,sem que o minimo convivio cruzasse o lapso de intimidade,e do jeito mais honesto que lhe foi possivel,soltou dos pulmões notas sem sentidos,pra dar lugar ao espaço que ele ia ocupar nela.
(sem se preocupar com os acentos,dessa vez.)
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