Queria soar menos clichê, enfim. Eu voltei a me sentir calma, voltei a estar em mim. Ou pelo menos, ao lugar que eu me sinto bem em estar.

Toda vez que eu começo a escrever, tentar expressar alguma coisa maravilhosa que eu descobri dentro de mim, elas começam a perder a beleza no minuto em que saem de mim.

Eu tenho pensado muito sobre isso, no que significa esse confiar em nós mesmos. Tenho sentido algumas contradições em mim que são assustadoramente cruciais, e eu nem tinha me dado conta antes.

Eu consigo entender hoje que a grande fonte do meu desprazer é me ver diante da realidade que eu interpreto como sendo aquela que me cerceia e me limita, quando eu me sinto encurralada pela falta de mobilidade. Quando eu me sinto sem opção, sem autonomia, é que eu começo a sentir toda a minha angústia crescendo e se tornando o combustível pra minha necessidade de auto destruição. Só que das realidades que estou falando, todas foram eu quem construí, me cercando e me limitando justamente pela necessidade constante de exercer a minha autonomia, marcando a minha postura através das minhas escolhas. É um ato de governança e rebeldia, eu comigo mesma. E puxa, como isso é cansativo.
Tenho tentado me colocar no caminho de construir a confiança em mim mesma, tentando primeiro superar a arrogância das definições que eu me dou, e apenas dando passos certeiros no meio da neblina.

As vezes eu só consigo ouvir a minha própria cabeça. Só que mesmo com o combustível que alimenta a ânsia de escrever, ou expressar, eu estou sempre assustada em ter de enfrentar a fatalidade das minhas palavras e a estupidez dos meus pensamentos.

– o bom, é que o tempo passa pra todo mundo.

Eu não consigo acreditar em nada mais do que eu escrevo. Não porque fuja de ser minimamente coerente, e essencialmente sincero. Mas porque agora tem um novo elemento que participa na formação do raciocínio, e tudo o que ele adiciona me parece suspeito e inflamado demais pra se escrever. E então surge a necessidade de um novo elemento, um esforço extra pra conseguir ser capaz de distinguir o que é realmente que eu quero escrever. E olha que estou começando a suspeitar que talvez não seja conseguir, ser ou distinguir que eu esteja fazendo com esse esforço extra, é algo muito mais sutil e delicado que isso.

– o que será que está na curva?

Viola da vida

Eu me sinto violada pela vulgaridade do sentimento,violada pela simplicidade do acontecimento,violada pela estupidez do sexo. Violada estão eu e alguém que não sou mais,violada alguém que deixo pra trás. Violada vida que carreguei por mim,violada vida que acreditei ter fim.

O que faço da viola da vida,daqui pra frente é viola ação.

Eu compreendo perfeitamente a natureza irracional dos sentimentos e respeito,hoje mais que nunca,o abrupto nascimento das reações e ações humanas sem muito atribuir valor sentimental e sem muito leva-las em consideração,já que o sentir,reagir e pensar crescem da raiz da subjetividade individual que esta além da minha capacidade de apreensão.
Dito isso,eu me dou também o direito de não ser imparcial diante dos meus reflexos sentimentais,e mesmo estando eu dotada da noção dos conflitos da vivência e convivência humana,protejo minha liberdade de odiar,desprezar,desdenhar,subjulgar e ignorar fatos que me provocam reações cujos motivos não me são conscientes.
Respeito o que se sente como certo cada individuo e não questiono seus motivos,porém tenho em mim também a vitalícia possibilidade de não concordar sem também serem questionados meus motivos.
O que os outros pensam ser verdadeiro é bem verdade para eles,e só para cada um deles.
A minha verdade existe em mim,e por existir em mim,eu sou a minha própria verdade.