Gu

As coisas aqui estão incrivelmente boas, e as na minha cabeça estão melhores também. As vezes é tudo tão bonito e incrível que eu sinto como se não conseguisse acreditar no sentimento e de alguma maneira começo a rejeitar tudo isso quando fico sozinha. Esses momentos são bem breves, eu não tenho muito tempo pra mim e pra conseguir colocar as ideias no lugar. Você não tem ideia do quanto sinto sua falta, sério.

A mãe do Michael gosta mesmo de mim, ela é super animada e um tanto mandona. Isso, e o fato de que eu tô aqui pra aprender a língua dela, dá um enorme controle pra ela. E puta que pariu, como é cansativo conhecer alguém sem poder me comunicar completamente. Eu sinto como se não conseguisse me defender, me impor, me apresentar de verdade. Mas mesmo assim, hoje eu perguntei, com todo o alemão que eu consigo falar, se ela já tinha fumado maconha. Ela respondeu que não e perguntou se eu já tinha fumado. E ai eu só sorri e balancei a cabeça que sim. Foi um bom passo hehehe.

Ontem ela me levou pra uma cidade holandesa que fica na fronteira com a Alemanha, que na verdade é um outlet gigante pra marcas caras (Hugo Boss, Armani, Ralph Lauren, Dolce and Gabana…serio) e era um shopping center ao céu aberto, uma vila alemã gourmetizada com lojas de marca. Velho, ela me fez andar 6horas experimentando vestido pro casamento de um amigo do Michael no fiz do mês. Depois disso, acabei gastando 100 euros num vestido que se eu engordar 2 quilos não fecha mais. Eu sou muito grata pela atenção e intenção dela. Não posso culpar ela. Quando a gente chegou em casa às 21h da noite, mano eu tava com tanta raiva de mim mesma. Fui muito tapada, mas é isso ae. Já chorei muito hahaha

Em relação ao Michael, as coisas estão perfeitas, tão perfeitas que me fazem duvidar.

Parece que não se passaram sete meses, e ele tá mais apaixonado do que nunca. E hoje eu consegui definir minha angústia, não to me deixando apaixonar por ele de novo. De alguma forma eu não admiro ele mais, e sinto que minto pra ele de alguma maneira retribuindo. Eu tenho medo de não amar mais ele e ter que lidar com as consequências disso. É tudo tão perfeito que parece que basta eu ficar aqui, e caralho, isso me incomoda.

Ao mesmo tempo me parece possível voltar a amar ele depois de algum tempo, como um amor por respeito pela parceria. Lembrei de você e da Fe, e fiquei com medo de ele parar de me amar depois de muito tempo frustrado.

Mas nada do que eu disse aqui é verdade. Eu to bem feliz e grata. E tem sido muito estímulo, pessoas diferentes pra conhecer e me fazer worth (nao consigo pensar em outra palavra). Tem muita coisa nova e vou demorar um tempo pra conseguir sentir direito, pelo menos até eu conseguir meu próprio espaço, casa, quarto, cozinha. Como eu quero isso de volta heheh.

Mas eai, me conta como tão as coisas por ai? Eu queria perguntar como tá sendo com o Gui por ae.

Me responde ae uma carta contando seu role!

Amo você Gu!

Fica bem ae e qualquer coisa grita!

Every where I look, my walls are in the ground. There’s no inside or outside. Even the roof had gone a long time ago. For the years I had leaved over a fake floor too, never taking a pick under ther boards, but always hearing a weird call coming from the Keller. 

Now, there’s me left standing. And I know where the foundation is. 

All the directions are equally possible, but not equally ending. 

There’s nothing left but me and my sense of truth, love and will. 

Lass uns gehen!

I want my right to work with heart instead of time

Work, as human power, shouldn’t be sold, it was meant to be shared.

When your effort, your intention, the manifestation of your will is shared somehow, in different scales and kind, then work would be again the realization of ones life. 

Not as a duty, not as exchange or bargain, but as contribution, a motion of life’s energy flowing through you, as a creation of your existence. 

This doesn’t mean that the creation should necessarily to be outstanding, or great, history material. But even so, it doesn’t seems to be another way than to live it.

Schwer 

As vezes tudo fica pesado, e tenho provado (também na pele) o que realmente é coragem, é medo, vontade, desespero. 

As vezes eu olho pra tudo isso e vejo que criei, construí cada pedaço do monstro que hoje me engole ao manifestar a minha vontade. Eu assumi brigas, assumi uma guerra inteira pela vontade que rompeu em mim. Eu não consigo e não quero ficar parada, e a cada dia alimento a miração dos meus planos.

As vezes, como hoje, eu olho pro monstro e me pergunto do que realmente ele é feito, e temo por descobrir que a minha criação não vai ser capaz de ultrapassar as barreiras do meu mundo, as fronteiras do que me foi delimitado. 

Chego a pensar que meu monstro talvez não seja o suficiente, e é quando me sinto engolida por ele. 

Por alguma razão sempre achei que era capaz de tudo, e nessa situação tão tacanha quanto a minha, com brigas tão corriqueiras e ordinárias, me sinto engasgada ao vislumbrar a possibilidade do monstro não dar conta. 

Me faz questionar se toda essa guerra é real, ou se me lancei na euforia da realização de mim mesma. Quando olho ao redor vejo que tive todas as condições pra que a minha escolha fosse exatamente essa, sem baixar a cabeça, sem desmoronar, abrindo meu caminho por entre os destroços de uma tempestade que já passou. Eu me lancei na euforia sim, mas justamente por ter as condições necessárias pra que fosse iminente o meu deflagrar.

02.06 ESCOLA, devia ter falado

Primeiro quero pedir desculpas se eu estiver sendo petulante. Tenho alguns incômodos e se eu estiver sendo equivocada, eu aceito correções de bom grado.

Acho que o que tá exposto aqui é o universo de estudo em que todos nós temos trabalhado. Mesmo que cada um dos professores tenha sua ênfase, Priscilla e a Andrea na questão do espaço, Antônio na política e Pedro e Alberto na produção, estamos todos trabalhando com aspectos da mesma lógica do capitalismo na sua fase neoliberal. 

Acho engraçado que agora que temos essa visão geral, estamos abismados diante das nossas próprias reflexões e análises. Por isso, de novo, acho que pra montagem de uma agenda de pesquisa futura precisamos nos aproximar de modo a reconhecer quais as perguntas que ainda não estão postas.

Imagino que se alguém aqui se lançar na pesquisa da infraestrutura de energia elétrica ia passar pelo mesmo processo que vocês e chegar ao mesmo ponto de entender o modus operandi do capital em sua forma financeirizada. E é o que nós temos até agora. Somos experts em reconhecer processos, embrincamentos, relações que nem o próprio capital é capaz de reconhecer. E em termos práticos, materiais, não temos nada além das análises.

Por isso acho que a pergunta é justamente como fazer com que o capital deixe de operar, como resistir a essa lógica.