RES: Ich schreibe einen Brief

I have to say that, for someone like me, that had being selfish, coward and distant of personal contacts the entire life, this distant relationship thing came to me as my surrender. Is an act of devotion, an internal struggle between my ego and my heart, and the choice to keep this battle going on based on a fucking instinct, an energy so strong that I can’t doubt is truth.

I wanted to make this statement.

I miss looking into your eyes and seeing that truth being shouted  so clear and loud to me, and that sight was the fuel for the fire I hold for you inside me. And as I stared into your eyes, for the last seven months, I had this fire consuming me and vibrating life around.

Now, I can’t see your eyes. I can only imagine, or remember (maybe it’s the same process), but my mind can’t give me the glow of life you held. And now, I have to keep the fire by my own, finding fuel in every emotion I can hold with me. I have to search, take care and organize feeling, memory and idea, to produce more fuel.

Sometimes, I honestly go crazy. An urge to protect myself at all costs from witnessing the dissolution of your presence, to run on the opposite direction of us. All the moments I considered turning away, I felt ashamed, I felt your fire burning on my belly and my feet stuck to the ground.

For someone like me, selfish, coward and distant, this is my surrender that cames as an act of devotion. I can only say that I am learning more than on any other period of my time. My devotion to you manifests itself as this sudden will of being better, better with myself and others. My love for you makes me capable of loving others in a more empathetic and far less agressive. Loving you made me capable of love.

M

why I freak out sometimes

Here are some of the reasons, just the ones I managed to recognize.

When the routine, ordinary life, ordinary responsibilities, show up in front of me, asking where is my motivation to accomplish my plans, I ask myself the same question and the only thing I can see in front of me is you and the gigantic fear of losing, even for a moment, the peace, the comfort, the perspective of life and ordinary days I have with you. I opened to you every layer of my ordinary behavior, ordinary thoughts, ordinary desires, ordinary plans. Facing the reality where you don’t exist to share the day with me, makes me freak out. Every time, I am not freaking out of fear, but freaking out for feeling and recognizing the existence of this fear. I get scare with the size and deepening of this fear, how it became part of me.

I am not ashamed of feeling like this, I am grateful and have no regrets. You showed me another dimension of myself, of what I can imagine and desire and what my priorities are now. But still, I freak out sometimes.

And everytime this happens, I just need some distance (small one for now), some time to feel myself on my own skin again. I need to go back to the solid inner part of me, where you already exist and is as solid as everything else that builds me, but is also where my strength and confidence are storage. On these foundation of myself I found the courage, the stability and the peace of mind to accept the changes that life is shouting out loud.

You don’t disappear when we separate. In matter of fact, you manifest yourself in the reality I builded and then I have time to look and examine every detail of what have been constructed day by day, side by side.

Sometimes I just need time alone. Time to talk with myself and contemplate what my subconscious, intrinsic and visceral thoughts had made of you, and time to deal with the instinctive part of me that is freaking out like the crazy woman I never thought I would be.

I don’t know if this relationship is healthy, or good for us.

The thing is, I got so madly in love with you that I don’t know if I should call this love or madness.

What to do when the only way you know to deal with pain is through self destruction?

How much of this is love and how much is construction?

Eu acho injusto o amor entre uma mulher e um homem.

A ideia que eu, como mulher ou como eu mesma, chamo de amor é diferente da que ele nomeia. Mesmo na superfície do afeto, o que eu dou e espero como carinho, como manifestação física da intimidade, não tem necessariamente um paralelo nele.

Vou falar como mulher, como midori, já que não vou fazer a bobeira de reduzir os outros à minha interpretação deles. Mas me darei o direito de redigir tais impressões. Talvez seja por isso que deixo aqui manifesto meu conjunto de idealizações amorosas, pra que saibam como as coisas movem em mim. Sugiro que façam o mesmo.

Preciso dessa redação pra acalmar os nervos, pra criar distância e perspectiva nesse emaranhado, por vezes visceral outras puramente uma punheta mental.

Acho que essa disparidade percorre todos os níveis de um relacionamento, logo depois da disputa início pela conquista do corpo do outro, logo depois do suspiro pela confirmação de uma ilusória reciprocidade. É nesse ponto que um relacionamento começa, quando você finca a bandeira no território do outro, vai dar meia-volta e vê que seu território também foi invadido. E você sorri de conforto.

A partir desse momento, quando meu mundo orbita o seu e vice-versa, ambos já tem trajetórias pretendidas que não podem ser percorridas conjuntamente. As minhas expectativas (sinto muito, elas são reais e de produção involuntária) mergulham em você, pra que você seja aquilo que eu preparei, que maturei, redesenhei, e agora se encaixa tão perfeitamente na sua imagem.

As minhas questões são poucas.

Como perspectiva, o que um significa pro outro, a divergência é sutil mas fatal.

No amor eu vejo um convite, uma jornada, uma companhia e a possibilidade de viver intensamente tudo o que vier pelo caminho. Não sou tonta de acreditar numa promessa, mas amor significada confiar no outro. Confiar que mesmo todos sejamos humanos e que nenhum de nós está livre da possibilidade de machucar os outros de modo egoísta, confiar que os choques de se tentar rearranjar as órbitas vai ser objeto de cuidado, estudo e esclarecimento.

Eu não quero ser um conforto, não quero ser apoio ou peso. Não quero ser a confirmação de nada, nem a promessa de completude que a paixão oferece.  Não quero ser o sossego da sua mente em achar que agora o amor é garantia de si mesmo. Não quero ser uma tarefa na agenda, compromisso e alarme. Não quero ser responsabilidade.

Quero ser a escolha, a decisão diária de investimento a longo prazo. Quero ter essa obra conjunta a construir, derrubar, remodelar. Quero um relacionamento que não seja estado, mas processo. E quero o comprometimento mútuo de nutrir e cuidar, até quando parecer certo e prazeroso (prazer é importante, porra!), desse universo absurdo que só existe na presença de ambos.

Eu não quero que meu corpo seja troféu, que seja brinquedo, não quero que seja propriedade, ainda mais daquelas visitadas ocasionalmente como distração e refúgio de férias. Não quero que a intimidade signifique a redução do meu território à parte onde já foi saciada a curiosidade, muito menos que signifique a conquista garantida dessas terras.

Eu acho que eu quero um flerte cotidiano (eu não tenho certeza da extensão da ideia), reconquista diária. Eu quero que meu corpo, assim como aquilo que o anima, seja explorado, admirado e experimentado com a mesma curiosidade e respeito que eu exploro o seu. Com o prazer e cuidado de cultivar na pele a linguagem das coisas que só o meu corpo sabe falar.

Eu não quero ser reduzida  a parideira, alguém que foi escolhida pelos mais diversos atributos e valores compatíveis para trazer e cuidar dos seus tesouros. Não quero que o próximo passo, ou o ápice dessa jornada, ou o evento do convite, seja o momento em que eu efetivo o que o nosso amor produziu, como prova da minha ou mesmo da nossa, competência e compatibilidade.

Eu quero ser parceira, quero estar ombro a ombro e mãos dadas, quero ser a paz e confiança de poder assumir nos braços uma criação a dois e estar ansioso em presenciar o espanto e a beleza de ver alguém crescer e se formar. Quero dividir o fardo e a responsabilidade, não só com esse terceiro alguém como filh@, mas também com quem precisar de suporte pra ser pai.

Eu não aceito ser menos que isso.

Já deixei de acreditar que existe um certo ou errado, um melhor ou pior. Cada um de nós coletou e organizou o amor conforme lhe foi sugerido e conforme a vida mostrou.

Mas eu não aceito ser menos que isso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tudo o que se passa comigo é tão fútil, tão sutil, tão vulgar e ordinário que me surpreendo por me ver deliciando prazeres que nunca entraram no campo das vontades.

Pra cada dia passado em trânsito, pra cada hora não percebida ou arrastada, pra cada momento que se manifestou em mim,

Hoje, quase pedi um cigarro ao moço na rua. Passei o dia ensaiando uma aproximação caso visse alguém que fuma tabaco como eu. Contaria a verdade sobre o meu vício intermitente, mas que não por isso deixa de ser latente/ real. Cruzei todos os tipos de fumantes, desde os fruteiros do centro com aqueles tênis de mola e um óculos espelhado descansando na cabeça (fumando free, imagino eu), as velhas gordas que mesmo com todas aquelas sacolas conseguem segurar o cigarro na ponta dos dedos cujas unhas vermelhas já estão pra lá de descascadas, até os taxistas com bigodes grisalho segurando o cigarro no lábio enquanto joga dominó ou conversa. Mas não era nenhum desses cigarros que eu queria. Meu desespero não era tão grande assim.

Pra variar, sou clichê e me encaixei num grupo cujo gosto é a Vila Madalena, moderninho, hipster, hype, seja lá o que for, acabei caindo aqui, orbitando junto com a parte bem instruída e ativa, na composição da própria personalidade, da minha sociedade. A única parte que começou a reconhecer a cagada que fez consigo mesma ao sonhar que era diferente de tudo e que o futuro seria, nada menos, que nitidamente percebido pelos outros. E é por isso mesmo que não é de se surpreender que eu só fosse encontrar o meu cigarro nesse umbigo.

Não foi nada menos que num estúdio de tatuagem/brechó/lanchonete vegano/espaço multicultural de tendências multi étnicas transcendental

E.

Não sei ainda se vou te enviar esse email, mas percebi que você é a única pessoa pra quem eu consigo escrever com toda sinceridade.Não sei se vou enviar simplesmente porque não acho justo da minha parte aparecer pedindo atenção reconhecendo o fato de que eu não dei nenhuma atenção até agora.Eu não consigo lidar com todas as coisas ainda.

Eu queria que alguém soubesse o que ta acontecendo comigo, e mesmo que não soubessem…pelo menos eu deixei manifesto de alguma maneira.

De repente eu me dei conta de ter me tornado mulher. Nunca achei que um dia me reconheceria mulher, não menina, nem moça, mas mulher. Não foi uma questão de atributos, nem de uma sexualidade exacerbada. Pouco importa se eu sou hetero, homo, ou uma jamanta. Acho que de alguma maneira todas nós sentimos isso em algum momento. Ou pelo menos espero que sintam. Eu devo isso ao Mauro, por me fazer perceber o que é amar alguém. Por ter me feito perceber o espaço que existia em mim acenando pelo contrabalanço dos meus demônios. Amar alguém me fez abrir, o que no começo era uma janela, a porta inteira. Foi como um clamor interno,  que dentro do meu universo, tinha um mundo que só podia ser habitado a dois. E como eu gosto de estar nesse mundo.

Hoje eu amo mais alguém. Sinto como se pela primeira vez alguém tivesse paciência comigo. É tão egocêntrico e aconchegante reconhecer o bem que a pessoa te faz e o bem que você também faz a ela. Eu fui um daqueles gnus africanos que bebe água no lago sem perceber que tinha um crocodilo gigante na minha frente, prontinho pra me pegar pelo nariz. Eu caí de quatro, rolei na água e abracei. O que tinha na garganta do crocodilo foi uma das coisas mais lindas que eu já vi.

Talvez seja essa a condição pra eu ter me tornado mulher. Ter coragem pra amar alguém independente de qualquer apego fútil nem expectativa a longo prazo. Mas ainda assim me entregando a toda doçura e companhia.Ter coragem não significa que eu não esteja com medo a cada minuto. Eu sinto meu coração na boca, num estado de êxtase entre gozo e espanto.  É como se eu estivesse me sufocando em transe.

Ainda assim, eu preciso subir e tomar um ar de vez em quando.

M

Arcadis

Começo a considerar que a intenção desse emprego/estágio, no esquema geral da aleatoriedade do percurso da minha vida, foi a de me devolver o tempo e a disposição de voltar a trabalhar por dentro de mim. Funções reais, eu não tenho. Nem demandas urgentes, prazos apertados, grande responsabilidade. Muito menos a cobrança real da produtividade corporativa, das tabelas de excel e dos emails cordiais.

Mesmo assim, eu passo 20 horas semanais sentada em  uma poltrona ergonômica, apoiando meus pés numa dessas plataformas também ergonômicas, enquanto digito qualquer coisa que cruzar a minha atenção na página do Google, lembrando sempre de apoiar os punhos nas almofadinhas ergonômicas do teclado e mouse. Já montei pra mim mesma uma rotina minimamente confortável que me permite marcar a passagem do tempo no ambiente uniformemente iluminado para a realização do trabalho de escritório.

Chego às 8h da manhã, e enquanto ligo meu computador e atualizo a caixa de entrada do e-mail, encho minha garrafa de água e faço meu chá de Jasmim (que eu roubei da Lena) com a água quente que sai da máquina de café expresso.Às 10h, religiosamente, como minha fruta por força do hábito, geralmente uma banana, e volto a me entregar à mesma atividade que fiz nas duas horas precedentes, ler e procurar, pesquisar, voltar, salvar, coletar, organizar, perguntar, anotar, pensar, pensar, pensar; e em sua grande parte, em absoluto silêncio conferido pelos fones de ouvido. Às 12h, também com certa religiosidade, tempero meu almoço apresentado agradavelmente no tupperware que eu carrego todos os dias, e que foi preparado com certa dose de carinho por mim mesma na noite anterior. Como sem esquentar, por não ter a disponibilidade de um microondas e por não me incomodar com isso. Na verdade, sinto até mais prazer em comer a comida na temperatura ambiente. Como olhando pro horizonte de São Paulo, tendo o Martinelli a minha esquerda, a Catedral da Sé a direita, e estando atrás dela o Fórum João Mendes. Se eu esticar um pouquinho o pescoço posso ver o Edifício Sampaio Moreira e lembrar mais uma vez o que foi que me trouxe até o 22º andar do Mercantil Finasa. Escovo meus dentes, me olho no espelho, e sento mais uma vez diante do portal do delírio da informação.